terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Policial e a Usuária de Drogas

Ontem tive uma experiência altamente angustiante. Por ser pai e policial se tornou mais angustiante ainda.
Recebemos uma ligação em casa ontem à noite era uma mãe desesperada com sua filha, dependente química(crack), pedindo a nossa ajuda.
Por já conhecer o caso, mas não ter vivenciado sua realidade atual achei que sendo duro e ríspido resolveria o problema.
Para situar o caso, a senhora desesperada foi minha vizinha e sua filha já trazia problemas à época e ontem solicitou à sua mãe que a internasse para desintoxicação.
Presenciei uma das situações mais degradantes da pessoa humana, o amor próprio dela foi-se, ficando apenas uma jovem com auto-estima baixíssima, sem forças para livrar-se das drogas.
Confesso que nunca havia visto nem ouvido um drogado externar a pontencialidade que as drogas têm e a impotência, ou melhor, a força que a droga tem em geranciar a vida de um viciado.
Vai a um hospital, segue para outro e não consegue fazer a internação daquela que após várias tentativas, ontem por sua vontade queria se internar. chegamos ao Ulisses Pernambucano(Hospital da Tamarineira), de cara uma viatura da polícia conduzia uma deficiente mental agressiva, assustando todos nós.
Por obra do destino o policial condutor da deficiente em conversa conosco e sabendo da situação da jovem relatou que tinha um irmão em condições piores, pois pelas dívidas que possue com o tráfico e a quantidade de drogas que consome encontra-se em uma situação irreversível.
A peregrinação acabou no final da noite, mas sem solução, o médico encaminhou para outro órgão que irá fazer uma triagem para a partir daí iniciar o tratamento, porém pela droga que ela consome necessitará de um período longo e o Estado dispõe apenas de um mês, por que terá que dá vez a outro, com isso o tratamento é interrompido e a recaída é inevitável. O saldo da noite: a mãe frustada, a jovem desamparada e o policial angustiado, ocorrência não resolvida.